Abram os portões de Valhala! Ou liguem o tanque de oxigênio.

Querem te calcificar, moldar um gesso em você, dar a forma que “precisa” para se “encaixar” em algo totalmente condicionado, porque seu sucesso em ser uma máquina de produção depende disto. O estoque inesgotável de cobrança é apenas um aparato para que se empenhe o máximo possível em buscar perfeição, porém, ela obviamente não existe; mas quem se beneficia com sua dedicação não quer que saiba disso – mas fazem todo o tipo de pressão para que tente alcançar a ansiada e utópica perfeição.
Sinta o pescoço, as vias aéreas, narinas e boca fecharem lentamente: o mundo vai te sufocar! “Abram os portões de Valhala! Estou aqui para enfrentar Thor e Odin! Lá embaixo há muita pressão…”, implorou você desesperado com a falta de ar.
Não me sufoca, porra!
Deixa eu viver a minha vida, do caralho do meu jeito!
Então, pare. Respire todo o ar que puder.
Encha os pulmões várias vezes.
De novo.
Inspire. Expire.
De novo.
Sentiu?
Você não vai sufocar. Então…
Respire sempre, não só durante os intervalos; não existe pausa na vida para decidir entre a escolha do curso, vestibular, emprego, se muda de emprego ou não, as tarefas, casa, família, finanças, enfim, os compromissos e deveres que acontecem todos os dias no seu cotidiano.
Continue respirando!
Respirar é viver.
Aproveite a noite de bebedeira, mas não faça da semana que passou até chegar nesse dia algo maçante e sistemático, como um escravo que se liberta na folga ou fim de semana. Faça amor sem pressa, sem culpa, mesmo que tenha poucas horas para dormir e enfrentar o dia amanhã; o dia sonolento não se compara ao prazer apoteótico que passou noite passada. Pratique um esporte, vá à academia, mas faça contato que isso seja satisfatório para você, não pelo motivo de que a OMS, ou algum estudo de alguma universidade conceituada, informou que caso não se exercite, irá morrer vinte anos mais cedo. Em suma: aproveite o que é bom.
Respire. Respire fundo.
Sentiu?
Você não vai sufocar.
“Então vai lá e faz por onde a gente pode ir bem mais longe!” *. Mas da maneira que mais te satisfazer, sem deixar calcificar num molde imposto, porque você não é uma fratura exposta que precisa ser engessada, e nem vai se machucar por escolher um caminho que não te sufoque. Escolha respirar.
Respire fundo.
Sentiu?

Paz, meus amigos. Paz. ♥

*(Simples Assim – Zander)

É só um dia ruim, meu bem.

Sabe aquela época que parece que todo dia você põe o bendito e intransigente pé esquerdo no chão ao acordar? Pois bem; isso me fez pensar no quanto isso é impactante em nossas vidas, o quanto desejamos trocar o pé que toca o chão todo dia quando o despertador toca. E quando esse bastardo toca, parece uma tortura medieval daquelas com requintes de crueldade extremamente exagerados.
Pisa no chão, fita o escuro e, automaticamente, quase como algo programado, imagina um horizonte de possibilidades desagradáveis para o seu dia; o chuveiro vai queimar, o carro não vai pegar, vai chover quarenta e dois dilúvios, ônibus vai atrasar, a operadora do cartão vai ligar o dia inteiro. Enfim, nada bom acontecerá.
Você levanta, endireita as costas, vai pro banho. O chuveiro funciona. Veste o uniforme, então vai desafiar o carro e ele pega. Ninguém te ligou nesse período de acordar e ir trabalhar, mas já se passou uma hora e meia do seu dia. Você não precisou de ônibus e o sol despontou alegremente irritante no céu pra ofuscar o seu mal humor. Soando intensamente contraditório.
Chega no trabalho e cai um pilha de obrigações no seu colo, com prazo apertado, porque quase tudo hoje tem pressa pra acontecer; os números não param e as pessoas menos ainda. Você lembra que aquela conta está atrasada, aí o primeiro telefonema do dia daquela operadora que você queria que o Tyler tivesse destruído liga. Não atende. Modo silencioso. Bate o braço numa prateleira e fica dolorido o dia inteiro. Não​ tem dinheiro para pagar um almoço legal. Está cansado porque dormiu poucas horas na noite anterior. Brigou com alguém amado. Ouviu um monte do chefe em relação ao atraso dos prazos e bla bla bla bla bla bla bla bla bla. Ignora todos os problemas do nada e coloca no piloto automático.
Então você sai do trabalho e vê que seu carro foi roubado, mas que o amigo passando ofereceu uma carona, aquela pessoa que gosta mandou uma mensagem. De repente você acha 10 reais no bolso da calça que não contava e isso pagou aquela cerveja. O sol agora não parece tão “ofuscantemente chato”, porque naquela tarde de outono te aqueceu. Seu dia está uma bosta ainda, mas, porra, quantas pequenas coisas não deixamos de apreciar porque existe um mundo esmagadoramente pesado nas nossas costas? Será que não nos falta apreciar essas coisas simples que dão aquele afago de esperança e felicidade?

Aí você vê que seu dia não está tão bosta assim.

Abre a cerveja, depois faz o b.o., liga para aquela pessoa, abstrai aqueles prazos cotidianos do trabalho dentro do seu lar, põe aquela série bacana de ficção científica, termina aquele livro que recomendaram, enfim aprecia o que ainda insiste em te fazer bem.

A vida ainda está um caos, mas você vai mudar isso.

Chama o dog para fazer companhia assistindo série e divide a pipoca com ele. Chama aquela pessoa querida também. E explode o resto. Às vezes só precisamos ligar o modo avião, e voar, sim, voar, na direção do que está nos fazendo bem no momento.

Paz, meu amigos. Paz.

Por todas as “minorias”.

“Ele é gordo”, “ela é magra demais”, “muito alto”, “muito baixo”, “nem gordo e nem magro”, “nem alto e nem baixo”, “cabelo ruim”, “cabelo bom”, “sem busto”, “sem bumbum”, “seio demais”, “bumbum demais”, “ele (a) não se encaixa nos padrões exigidos por…”. O mundo quer que você veja a si mesmo (a) como ele quer; vivemos numa sociedade que insiste em te encaixar nos conceitos contemporâneos de estereótipos impostos incessantemente. Colocaram grilhões nas suas vontades, fizeram pressão vertiginosa na sua moral – “Aceite!”, “faça!”, “seja”, “não pense, siga a maré”; uma versão mais voraz do clipe homônimo da Daft Punk, o “Technologic”.
Pois bem, antes de tudo: ninguém é perfeito, mas você é uma pessoa imperfeitamente única e, sabe? Isso é magnifico! Sua singularidade (tanto corporal, quanto intelectual) é uma obra de arte que não pode ser copiada.
Não dê condescendência ao conservadorismo corrosivo que te obriga, por exemplo, dentre muitas outras coisas, a casar e ter filhos porque isso é uma obrigação de uma tradição, mas faça isso se for da sua vontade. Vamos elucidar algo importante: você pode e deveria ser livre em suas escolhas. A liberdade ir e vir, quanto de expressão, deveriam ser as únicas regras vigentes.
Você não tem um corpo “fora do padrão”, porque os padrões de beleza são ditados pelo mundo da moda e as tendências de “especialistas” que se baseiam na questão do lucro, e não na questão humana, não em pessoas. O lucro da indústria prejudica sua estima. Não aceite ser julgado (a). Se aceite.
Use maquiagem sim – seja homem ou mulher, o gênero é imparcial -, roupa curta, roupa “brega”, enfim, o que quiser. Não há rédeas que te domine se você dominar as suas próprias ideias. O mundo não se importa com você, então faça isso por si próprio (a).
Aceite ser o universo magnífico que é, porque você é um universo magnífico, com poderes de mudar o que quiser, quando quiser; tanto dentro, quanto fora.

Paz, meus amigos. Paz.

(Muito obrigado Amanda Scavazza, pelo simples fato de existir e contribuir nas minhas inspirações. ❤)

Meu sobrinho Duque é um astronauta.

Essa semana eu resolvi deixar essa semana para trás, porque simplesmente eu não saberia lidar com ela.
Abri a caixa do correio e a correspondência me recebeu com uma chuva estrondosa de voadoras na cara em forma de cifrões e, olha, mirei o céu e o mesmo era lindamente azul, decorado com um sol que ofuscava tanto a visão que eu desejei que caísse um dilúvio nessa montanha de papel repleta de códigos de barra. Dizem que um banho de chuva lava a alma, mas essa do carteiro lavou a minha mente; “brainwashing”.
Essa semana pedia incessantemente que fosse deixada para trás. Mas eu não descobri como realizar esta façanha temporal; ainda não inventaram ou descobriram uma máquina do tempo.
Droga.
Mas tem tanta coisa que eu não gostaria deixar passar – eu não posso simplesmente pintar de branco aquela página; ainda haverá algo escondido por baixo daquela página que eu preferia que ficasse nos recônditos do mais imenso e reconfortante esquecimento. Tem dia que é foda encarar um dia foda.
Porra.
Mas, sabe? Não dá pra deixar a semana para trás e muito menos borrar as página. A página pode ser preenchida de novo (de outra forma) e a semana não vai sair do seu pé. Eu sei, você sabe e todos sabem.
Boletos, emprego, responsabilidades, enfim, a vida arbitrária e repleta de contingentes de sempre. Porém, não é de todos esses problemas, dificuldades e empecilhos que nos tornam pessoas calejadas e propensas às adversidades que somos hoje? Os homens e mulheres que mudam o rumo de tudo e fazem as coisas caminharem?
Eu ouso acreditar que sim.
Mas, sabe? Tem dia que é foda encarar um dia foda. Então foda-se. Não vamos perder nosso tempo tentando descobrir ou construir aquela prodigiosa e encantadora máquina do tempo, porque se há algo que não podemos deixar para trás, ou deixar de conviver, é o passado.
Somos mais fortes que uma “porralhada” de dias foda que são fodas de encarar.
Coloquei Dance of Days no último volume e lembrei do quanto eu poderia ser mais forte que essa semana, que eu poderia ser mais forte que essa vida, que eu não nasci para ser coadjuvante nos problemas diários, semanais ou qualquer tempo. Eu sou protagonista dessa tragédia problemática pessoal toda. Então vou “Tarantinizar” minha direção e cortar a cabeça desses problemas bem mais que a noiva de amarelo.
Vem semana, vem mês, vem ano, vem vida; meu coração que corta mais que espada sorri.
Essa semana é só mais uma semana. Eu sou uma vida toda de possibilidades que só eu posso criar e, afiado, vou fazer que os ventos soprem ao meu favor.
“Que se foda amor, que se foda. Pecado é não viver a vida”.
Paz, meus amigos. Paz.

Eu sou um perdedor.

Não somos perfeitos, mas também não queremos ser. Não fazemos parte do “Clube da L***”, mas também não queremos fazer parte do mesmo. Fazemos parte de algo que não quer fazer parte de nós, mas integramos uma parcela enorme desse algo. Como uma única ferida no meio de um braço sem arranhões ou cicatrizes. Estamos aqui e estamos lá; estamos em todo lugar.
Minhas tatuagens não mudam meu caráter, meu cabelo colorido não é melhor ou pior que o seu, minhas roupas surradas me deixam mais confortável. O que nós temos dentro da mente e do coração mudou e mudará novamente uma nação.
O mundo nos traga, mesmo achando que não fazemos bem. Eles precisam de nós, porque nós somos os “Outsiders”. Somos o sonho de liberdade que o conservadorismo predador odeia. Os bons modos não aplicados à mesa, a falha na linha de produção, o defeito irreparável da máquina. Mas eles nos observam, pois sabem que pensamos fora da caixa, e isso assusta a maioria, que vê a minoria nunca parar de colocar espinhos na mente.
Somos quem queremos ser, parte do todo, como uma engrenagem que se encaixa nas outras, mas ao mesmo tempo parece que não é algo que se encaixe em qualquer lugar. Somos os “diferentes”, quando ser “diferente” é perfeitamente normal para nós.

Contemplem nosso êxito para fora do breu.

Nós somos os perdedores.
E nós não temos medo de dizer que nos orgulhamos muito disso.

Paz, meus amigos. Paz. ♥

Mergulho.

O coração despenca do céu, estende o braço em busca de afeto. Segura o braço estendido que sai daquela água escura, mais espesso que lodo, que absorve parte de mim, e aos poucos, lentamente, me integra ao lago. Acordo num pulo, meus braços intactos, mas meu coração mergulha o lago negro, sem ver nada, pulsando em arritmia, criando auréolas na superfície que se propagam em lamuria, tristeza e dor. Como um grito abafado na mente, nos recônditos, esquecido e aprisionado.
Brilha a esperança tênue, num facho de tímido de luz, que guia de uma margem recém criada, onde uma torre sólida como diamante jaz imponente e acolhedora. Traz de volta os sentidos, lembra o propósito, então o coração pulsa mais rápido ainda, como uma bomba relógio prestes a explodir. Até que explode em luz e tudo se intensifica, tornando a água transparente, formando o céu mais límpido, estrelado, com uma lua minguante sorridente que anuncia: não há escuridão infindável, muito menos impossível de dissipar.

Destruído.

Outro dia uma pessoa muito especial me apresentou uma banda chamada Rubel, e a música era “Quando Bate Aquela Saudade”. Eu amei de primeira, vi o clipe lindo, tanto que me destruiu. Sim, me destruiu por dentro. Eu precisei ficar ouvindo essa música por pouco mais de uma hora e mesmo assim não pareceu o bastante.
Eu senti um turbilhão de coisas, tomei o “baque”, arrepiei a cada vez que a música repetia.
Sabe aquele filme ótimo que faz jorrar naturalmente as lágrimas? Lembrei de um em especial – porque esse virou um dos filmes da minha vida – chamado “Amour”, que, consequentemente, me destruiu também. Fez pensar em perspectiva de vida, e como parece intensamente lindo ter alguém para envelhecer junto. Uma história de amor que dura décadas. Isso destruiria qualquer pessoa.
Confuso, não? Por dentro, coração aos prantos, cabeça a mil, sabe? Quando você não sabe direito o que sente direito, mas sente uma porrada de sentimentos agindo de uma vez só. Ouvir a música triste que te deixa feliz, te faz melhorar, como se fosse uma tristeza boa. Ver seu filme preferido e chorar toda vez que aquela cena em especial te emociona como não emocionaria qualquer outra cena. O nascimento de um filho e como uma mãe mal sabe o que sentir, mas sente absolutamente tudo. Você desmonta, mas não sai do lugar, e nem tenta mudar nada, porque de tão destruído por dentro, em passar por uma determinada experiência tão boa, você não quer mais voltar ao estado anterior.

Em suma, é aquele momento tão bom, mas tão bom, que você não quer entender por não saber como se sente. Você só quer viver aquele momento de infinito.

Sentir-se assim é a melhor coisa do mundo.
Sentir-se “destruído”.