Fiz um texto pra você.

Amanheceu novamente na cidade onde a maioria dorme todas as noites, sem saber que implacavelmente alguns resistem à boêmia de suas próprias vontades ou deveres – às vezes o fato de não ter opção se torna opção. Ela também não dormiu cedo essa noite; talvez tornando-se rotineiro tal fato.

Aparentemente aquele castelo em chamas não assustou aquela princesa, mas os trovões lá fora fizeram o trabalho no lugar. Mesmo assim houveram motivos para encarar os obstáculos, virar mais uma página, começar outro livro ou terminar um deixado de lado por um tempo. Tentar entender se aquele belo sorriso ornamentado com mechas cacheadas se funde à natureza, ou a mesma se funde a ela em harmonia, ou, quem sabe, há uma fusão ímpar que palavras não expliquem – tão chata seria a vida sem os mistérios.

A voz doce (como a personalidade) inunda os ouvidos quando toca o espectador, pensando eu que o fato de tamanha inspiração e talento seja fruto de uma seleção musical excepcional. “O mundo dela lançando doçura na amargura do meu”. Eu sempre acreditei que uma alma tão cheia de ternura poderia mudar um mundo num estalar de amores disseminados. Eis os salvadores em meio ao caos.

“Eu desconfio que esse mundo já não seja tudo aquilo…” e, de fato, não é mesmo, mas ora ou outra parece bem mais interessante numa conversa de madrugada, que perdura até o sono decidir impôr limite. Não é todo dia que o mundo permite uma conexão tão bacana acontecer diariamente em tão pouco tempo.

Amanheceu novamente na cidade onde a maioria dorme todas as noites e eu sei que o futuro é logo ali, e ela merece muito um repleto de coisas boas. E vai, Viva.

 

 

 

 

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Mais 10 minutos a gente já vai levantar pra qualquer compromisso.

Eu só queria que você ficasse uns 15 minutos com a cabeça no meu travesseiro, só pra eu dormir sentido o cheiro do seu perfume, de saber que ali tocou sua pele, pensamentos e, quem sabe, algo sobre mim que te fizesse bem. Freud me disse outro dia que não conseguimos encarar a realidade sem algum mecanismo de fuga; conheço todos os bares da cidade. Fiz algumas playlists e apaguei as antigas, mas deixei algumas músicas, levando em conta o conselho do Valentin: “É que às vezes a música me parece tão boa, que nem sei como desperdicei com a sua pessoa.”. É impossível ser feliz o tempo todo, enfim. Mas, a melancolia, a tristeza, fazem parte da formação de uma pessoa, para que possamos atingir evolução sentimental. A (eterna) princesa Leia me disse que devemos pegar nosso coração partido e transformar em arte. Eu nunca vou me esquecer de quando a Meryl citou a frase no Globo de Ouro em 2017. Isso muda a vida de qualquer pessoa. Precisamos periodicamente consultar um médico, mas às vezes essa necessidade se faz mais frequente. Porém O Doutor Tempo sempre estará disponível e não cobrará nada pela consulta. Abrace as coisas boas da sua vida, do seu dia a dia, nas menores oportunidades que surgirem. A vida é balanço mesmo e isso mostra o quanto somos bons marinheiros. O capitão enterrou as bandeiras, por isso podemos sempre desbravar qualquer horizonte que precisarmos. “Que a gente muda, e ainda bem. Que sorte a gente tem.”.

Hey, amigo. Hey, chefia.

Enfileirei os cigarros apagados em cima do balcão; contei 7. Ritual de balcão de boteco. Eu sei que você não vai ouvir o que o coração tá gritando – as feições não conseguem interpelar o que vêm de dentro. Suspiro contínuo, sorriso que por obrigatoriedade torna-se um mártir quando bate aqui dentro

– Hey, amigo. Favor, uma garrafa do que tiver de mais caro aí.

– Hey, amigo. Tem certeza? Sairá caro em todos os sentidos.

– Caro é o amor, chefia.
Vontade de cair no ostracismo nunca visto; ora, então, parecer a melhor opção. Mas o mundo fará aquilo que você não deixou aquilo lá dentro fazer: gritar até que ouça, porque ele não vai parar.
Nem eu.
Contei 11 cigarros. “E o meu melhor amigo encontrou Jesus, enquanto sigo dando lucro pra Souza Cruz”.

– Hey, amigo.

– Hey, chefia.

– Hey, amigo. Só mais uma, faz favor.

(Eu já nem) lembro como se fosse ontem.

Eu lembro como se fosse ontem o fato de que eu realmente não queria chegar a esse ponto de lembrar algo tão antigo, quando eu queria mesmo é não ter que usar um jargão tão batido para um passado irresoluto – na verdade eu não quero admitir que revivi apenas vislumbres. O maldito covil de reminiscências, num palácio opaco e cada vez mais esquecido. A intenção do tempo sobre nós é implacável e constante; não nos dá a oportunidade de sair do seu escopo.

1. Mas que diabos uma coisa dessas é algo que devemos deixar nos remoer e martirizar?

2. Podemos não deixar que as afetações tenham exito?

3. Ao voltar para cama, desligue a luz da copa. A da geladeira, por si só, fará o servico dela.

4. E como faremos o nosso?

Toda vez que eu abro a geladeira a noite afim de um pouco de água, eu fico imaginando se a luz lá dentro realmente apagou. Notei que a conta de energia teve um aumento significativo, logo, aquela (possível) luz que se apaga – ou não – dentro do eletrodoméstico, têm sua culpa substancial. Ou a culpa é minha mesmo por ser desleixado com luzes e outras coisas ligadas inadvertidamente. Tão acostumado dividir a culpa em alheios, julgando em parcelas, abstêmio de coerencia, mas dipsomaníaco em redirecionar o que eu devia arcar.

Ou eu simplesmente deveria voltar a dormir ao invés de pensar. O embarque onírico é um mundo tao mais palpável que o mundo de real desafetos.

Um ser com defeito.

“Não podemos nos deixar vencer por coisas superficiais.”

Como se fosse fácil pôr tal façanha em prática, não é? Quando estamos perto de algum limite pessoal, invarialvelmente, descaradamente, ou, internamente, a centelha acende um pavio quase inexiste da bomba que tornou-se pela acumulação de cargas mais pesadas que peso de halterofilista. Os dedos parecem apontar do nada, as indignações alheias  parecem atingir sem sombra de erro, como um alvo de tamanho astronômico, que até um cego cocho com artrose múltipla consegue acertar. Torna-se vulnerável.

Porra, é horrível sentir-se desprovido da armadura que protege sem hesitar.

Aí vem todo o tipo de injúria interna lá de dentro, enquanto você tenta contornar tudo, mas seu vigor para tal defesa é claudicante e parece que o alvejar é cada vez maior. Você não consegue ver as coisas boas em você. Não vê que tem opções. Às vezes todo o desespero desse abismo que vai se abrindo esvai-se em forma de lágrimas que jorram como fonte no verão.

Não consegue enxergar que dentro de você tem uma reserva de energia maior que a força física de Hércules ou todo o poder cósmico de Ganesha.

Pois bem, sabe? Eu sei que a batalha é dura e você está com ferimentos, marcas de guerra. Mas ninguém tem disse que é o suprassumo de si mesmo, irradiante e sempre na guarda mesmo quando não percebeu esse sentinela.

Você tem defeitos sim, mas, poxa, já olhou melhor no que tem de bom? Um erro no trabalho não elimina sua habilidade em lidar com as pessoas de maneira ímpar; um vacilo com os pais não significa que não o vejam como ótimo filho que quase sempre, ou mesmo em alguns momentos, fez tudo que pode e tentou ser melhor, atingindo a virtude do êxito fraterno; você não é lento ao redigir uma redação para vestibular, ou terminar algum exercício difícil, porque você não percebeu que se dá bem melhor em algumas matérias e não em outras, afinal, raramente alguém consegue isso; enfim: você é uma medida com vários pesos, como qualquer outra pessoa.

As probabilidades são determinadas quando decide seguir em frente com aquilo que te faz bem e você faz bem, não quando sujeita-se aos julgamentos de outros que, sem saber sobre você, torna-se pedante.

“No final das contas somos todos iguais.”

Eu acredito no que você quer acreditar quando decide enfrentar esse mar vertiginoso e pueril de repressões infundadas para procurar ver o que te faz bem, o que te deixa bem. Enxergar que nenhum ser humano tem apenas defeitos, mas uma porrada de qualidades que passam despercebidas quando a pressão insiste. Eu acredito na sua resiliência, na sua força, no seus calos forjados por fracassos que o tornaram vencedor. Já venceu antes de ganhar.

“Lutar até o fim, até o fim.”

A luta é até o fim, mas x guerreirx que você é vai além de qualquer finitude imposta pelo meio em que vive. Seja eterno em reconhecer as suas qualidades; o fraquejar é só impulso para levantar de novo, de novo e de novo.

“E vamos valorizar o que há de bom aqui. Esse é  meu lugar.”

Valorize-se, seja seu penhor mais precioso e a pedra que nunca será lapidada por limites, pelo simples fato de que a expansão pessoal é a sua maior qualidade.

Eu acredito pra caraleo você. ❤

Paz, meus amigos. Paz. ❤

 

Deparei-me com o passado.

Acordei com o incessante, irritante, mas necessário som do despertador a cantarolar o inevitável: o sol despontava irreverente lá fora, anunciando que se eu ignorasse o toque desprezível eu me atrasaria para o trabalho.

Pois bem; senti os pés tocarem o chão frio, ainda sentado na cama.

Mirei a parede repleta de “rabiscos” meus, com a atenção de um vigilante noturno insatisfeito e, então, como brisa sorrateira, uma saudosa lembrança chamou minha atenção. Pensei numa frase que li outro dia numa foto qualquer, que dizia “e se você soubesse que foi a última vez que brincaram juntos?”. Aquilo instantaneamente me socou como marreta no concreto, mas ao mesmo tempo me fez sentir nostálgico. Daquela lembrança de infância, não saberia dizer se foi a última, não saberia sequer saber qual foi.

Pois bem; levantei e realizei o ritual de praxe matinal – o trabalho me esperava.

A simples reminiscência me fez refletir severamente sobre outras que, ocasionalmente, cutucam sem avisar – ora, quem avisa em pensar cutucar, não? Pensei no “fardo” (depende muito, creio eu, se é algo ou assim ou não) de carregar o incômodo de alguns momentos do passado.

Pois bem; pés acoplados em botas de bico de aço pisam o chão do trabalho, enquanto a dúvida pulsa na cabeça.

Como lidar com o passado que afronta o presente sem aviso prévio? Se tudo fosse flores… tudo bem. Mas não é. Contudo, eu aceitei que deveria lidar com esses fantasmas da maneira como eles nos atingem. Cutuque-os também! Sim, isso mesmo. Simples assim? Não, não mesmo. Mas se cutuca atualmente, é porque o êxito na solução dos mesmo ainda não foi alcançada. Revide com pazes a fazer, a fim de que nenhum outro fantasma coloque o dedo na sua costela de supetão, quase matando de susto ao acordar numa manhã fria. Faça da sua mente o palácio da memória mais aconchegante de visitar, ou onde você quer que alguém também visite – cuidar do jardim é medianamente fácil, mas a casa exige dedicação.
Aquele que remói o passado não é portador de culpa; intermitentemente as reminiscências, de forma involuntária, irão atazanar.

“1997, novembro ainda me lembro, era fim de ano, eu não tinha nada e você um novo emprego.”

Pois bem; cutuque os fantasmas e faça sua morada no presente.

Tem um futuro repleto de possibilidades que quer te ver bem. Eu gostaria de te ver bem, mesmo.

“Hoje eu extinto, já nem me lembro como era no começo, quando sabia tudo me esperava e acreditava ser alguém especial. E parecia que aquela vida era mais uma viagem.”

Paz, meus amigos. Paz ❤

Por Guilherme Rocha.

Eu sempre fiz questão de estar aqui. O inverno sempre passa

“Eu sempre quis saber como era estar um pouco longe de você”

Sentei naquele balcão de bar e vi que o copo ali na minha frente era mais volátil do que eu imaginava ser. Ou seria eu? Interessante seria saber quão constante seriam essas variações nas diversas situações que esse copo esteve a minha frente. Hoje, por acaso, eu sabia o porquê. O ato de coloca-lo a minha frente era tão líquido quanto às diversas situações que coloquei o mesmo ali. Confuso, não?

“Tudo vai passar, tudo sempre passa”

Às vezes estamos tão concentrados em viver nossa vida de maneira libertadora e inconsequente (não que isso seja ruim em certo período), mas não vemos perspectiva futura de como isso acarretará em nossa jornada. É um pé no saco ouvir de alguém que você está exagerando, não? Quem sabe em algum momento isso não é um conselho a ser levado em conta? A exaltação de uma noite de sábado tem tem seus resultados na manhã de domingo. Alegria de sábado é tão líquida quanto o álcool ou outras substâncias ingeridas pra potencializar aquele momento. Não é que você não deva exagerar às vezes, mas nem sempre o exagero é a melhor forma de tornar o momento mais sólido.

 

“Talvez nós fôssemos depois o que pensávamos, quem dera”

“Colecionar figurinhas” é o esporte mais sólido aos mais bem aventurados, mas não imagino a relação póstuma consigo mesmo depois de tantos laços mal feitos, em que os nós só suportaram o momento rápido e tão longe do oceano de realidade sentimental. Oras, todos têm sua fase, mas até quando essa fase perdurará? Fugir de relações com nós mais firmes é só um reflexo de uma liquidez sentimental que se apossa como um pântano que não quer parar de te consumir. “Liga, manda mensagem, vai visitar, divide um lanche, vai andar por aí, se importe!”; sim, viva mais sem ter que viver menos com um milhão de pessoas.

“Amanhã eu não vou mais estar aqui”

Toda família tem suas falhas e isso não é novidade pra ninguém. Nem todos os encontros são os mesmos e nem a mesma frequência, mas sempre haverão momentos pra celebrar, sentir-se feliz em fazer parte de uma gama sólida que nem sempre se vê, ao invés dos encontros semanais frequentes e sem teor válido. Líquidos como a água da pia que lava seu rosto de manhã. Os laços mais sólidos aparecem nas crises e, sabe, nem sempre a presença física é sinal de que só assim se importam.

“Nunca me pareceu ser real”

Eu poderia citar um milhão de situações, como já disse outrora. Mas eu vou elucidar os enunciados, pois sei que ai dentro de você despertou mil pensamentos, como eu também fiz. Eu acredito na busca pela felicidade como se buscasse uma pedra gigante e imensa. O riacho é a renovação constante de águas que passam, mas se o seu riacho for apenas uma demonstração do quanto seu copo em cima do balcão mostra que sua jornada é líquida e passageira?

Eu arriscaria mil vezes chutar aquela pedra com força até quebrar o meu pé, que mirar um curso de água constante.

Me esforço constantemente para dar nós mais firmes, que segurem as tempestades. Eu sei que a dureza dos compromissos, sentimentos e atitudes são mais importantes que aquele copo repetitivo num balcão de bar que nem ao menos faz questão de existir de verdade na sua lembrança.

Mais amor, por favor. Mais laços firmes, por amor.

Namastê. Paz.

Por Guilherme Rocha.