Mergulho.

O coração despenca do céu, estende o braço em busca de afeto. Segura o braço estendido que sai daquela água escura, mais espesso que lodo, que absorve parte de mim, e aos poucos, lentamente, me integra ao lago. Acordo num pulo, meus braços intactos, mas meu coração mergulha o lago negro, sem ver nada, pulsando em arritmia, criando auréolas na superfície que se propagam em lamuria, tristeza e dor. Como um grito abafado na mente, nos recônditos, esquecido e aprisionado.
Brilha a esperança tênue, num facho de tímido de luz, que guia de uma margem recém criada, onde uma torre sólida como diamante jaz imponente e acolhedora. Traz de volta os sentidos, lembra o propósito, então o coração pulsa mais rápido ainda, como uma bomba relógio prestes a explodir. Até que explode em luz e tudo se intensifica, tornando a água transparente, formando o céu mais límpido, estrelado, com uma lua minguante sorridente que anuncia: não há escuridão infindável, muito menos impossível de dissipar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s