Quando céu azul já não é o bastante

Mirei o horizonte naquela tarde que parecia perdida – acordei seis horas da tarde. O céu estava numa imensidão de azul tão majestoso, que sentia paz ao admirar. Sentia vertigem, a cabeça cheia, mas, aos poucos, ela foi esvaziada e tomada por completo pela imensidão de azul. Eu me senti inteiro, eu me senti vivo, eu senti vida, como se ela realmente valesse a pena, e que nem um exército de bárbaros fedorentos e violentos pudesse me derrubar.

Ultimamente eu tive muitos pesadelos; toda noite uma batalha era travada dentro de mim. Eu sentia que minhas defesas enfraqueciam, a visão esmaecia e qualquer coisa poderia me desarmar. O homem no canto do cômodo me perseguiu, insistindo em sugar tudo o que eu tinha de bom.

 

Sentir-se incapacitado é a sensação mais horrível que existe.

 

Acordava sempre suando – mesmo que a temperatura estivesse a 8° –, desnorteado , sem saber onde estava, tentando identificar inutilmente aquele quarto que dormi quase a minha vida inteira.

Quando seu cotidiano anda abalado, não conseguimos acreditar que há um horizonte azul esperando só porque deu tudo errado. A vida parece conspirar, em complô com o emocional, arquitetando planos mirabolantes. Haja força, haja garra, para tanta guerra interna, tanta dúvida. Você implora por aquela imensidão de azul, mas você sabe, no fundo, que não virá.

No último pesadelo em que, mais uma vez, o homem estranho estava lá, eu senti perder totalmente as forças; entreguei-me sentindo cada membro falhar, cada ligação cerebral ruir.

 

Eu senti muito medo.

 

Não durou muito dessa vez. Fui salvo antes que meu corpo tocasse o chão como uma bigorna, repousando leve como uma pena. Senti calor, como eu nunca havia sentido, me inundando rapidamente. Um toque posterior, carinhoso, no peito. Uma palavra de conforto que, quando aconteceu, não sabia ao certo o que ela havia dito, mas hoje aposto que foi “tá tudo bem”. Entreguei-me aquele sorriso por completo, admirando a mulher em chamas. Foi o bastante para, pelo menos naquele momento, sentir que nada pudesse me atormentar.

Então depois de muito tempo, eu pude sentir que a vida podia se manifestar de várias maneiras, além daquele céu azul.

Eu nunca tinha refletido sobre a palavra “vida” em si, e no quanto ela podia ser – talvez – a palavra mais bonita. Desde a pronúncia e os seus diversos significados. Ela me mostrou isso e de quebra eu tive uma opção melhor para espantar os pesadelos. Também me mostrou uma música muito bonita em que como alguém pode ser, tornar-se, enfim, “alguém para chamar de vida”.

Não é sempre que eu tenho a oportunidade de sentir aquele céu azul para suprir a imensidão calamitosa aqui dentro, mas eu não me preocupo mais tanto com isso. Eu simplesmente fecho os olhos, imagino aqueles olhos castanhos vivos, com seus cabelos em chamas, sorrindo para mim, prontamente me fazendo acreditar que “tá tudo bem”.

 

Porque realmente vai ficar. Porque ela é quem eu encontrei significado para chamar de vida.

Paz, meus amigos. Paz. ♥

Dedicado a Rafaela Christina Ribeiro ♥

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