Olhos com sede de sangue.

3 pessoas correndo até um terreno grande, com um galpão inacabado não muito distante. Um deles era eu, outro homem e uma mulher. Corri e chamei os dois. A mulher pisou em cacos de vidro escondidos na areia fofa. Pisei em alguns também. Na rua de cima do terreno um homem com chapéu grande e roupas surradas corria com uma tocha na mão. Não era uma simples tocha, era uma tocha feita com carne humana. Ele chamou atenção daquelas criaturas e apontou para o meu pequeno grupo. Gritei que corrêssemos, pois as criaturas albinas com sede de sangue nos olhos corriam atrás de nós. Meus pés doíam, a mulher tinha muito sangue nos pés e notava-se claramente a dor.

Andava eu e minha namorada próximo a um prédio abandonado por sinal. A frente vi uma pessoa familiar andando com uma garota estranha. Essa pessoa familiar era alta, corpulenta. A moça era estranha, cabelo liso curto, olhar misterioso, um pouco baixa. Perguntei a eles onde iam e o que iriam fazer. A moça disse que eles entrariam no prédio abandonado para tentar achar um certo livro. Eu e minha namorada acompanhamos os dois. Lá dentro, a moça misteriosa juntos vários bolinhas de papel e jogou numa bandeja dourada que ela achou no prédio abandonado. Ela colocou as bolinhas na bandeja e sacudiu, pedindo que eu me sentasse. Me sentei e ela sacudia os papéis. Ela pede que u me deite e eu obedeço. Deitei e senti minha cabeça em algo que não parecia visível. Vi os espectro de pernas a minha frente. Deitei no colo de alguém que não estava ali antes. Me levanto assustado e me afasto. Minha namorada segura meu braço com força. A moça estranha disse algumas palavras e então a pessoa de antes se materializou no chão a frente. Um oriental albino, com olhos rasgados, que tinham sede de sangue. A moça balançou a bandeja e disse palavras estranhas, fazendo o ser albino ali no chão se contorcer. Ao passo em que ela dizia as palavras, além do oriental no chão, surge uma cabeça branca numa janela, com a boca cheia de sangue e olhos semelhantes ao do oriental. Olho pro meu amigo e vejo que ele se transformou numa daquelas criaturas albinas. Um homem alto, corpulento, albino, com sangue por todo o corpo, olhos com sede de sangue. Ele pisa no chão e tudo treme. Me assusto muito. Olho pro oriental no chão e se contorce, mas olhando para mim agora, como se quisesse me atacar. Olho novamente para o cara alto a minha frente e ele pisa com força no chão mais uma vez, fazendo tudo tremer mais do que a primeira vez. Olho para o oriental no chão e ele salta para me atacar.

Então eu acordo.

Eu.

 

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Dia nublado.

Eu andava em um cavalo num dia muito nublado em direção a uma lagoa com um grande gramado… Em meus flancos mais dois cavalos; num deles estava uma moça feliz demais, no outro uma garota muito branca, sendo ambas surrealmente lindas. Só que tinham cara de má, e os cavalos eram cinzas, bem escuros, só que não tinham olhos e sim buracos, vazios, negros, no lugar, que sangravam pela borda. Como se alguém tivesse arrancado as órbitas. Cavalgamos até o campo e chegando lá elas desceram dos cavalos e começaram a maltratar algum animal, ou alguém… Com pedaços de madeira… O céu tinha um aspecto frio, denso, como se fosse fumaça no lugar de nuvens. elas riam do ato de agredir aquele ser e eu olhava aquilo com certo repúdio, mas não conseguia fazer nada, não conseguia falar e nem me mexer. Meu cavalo cinza sem olhos, sangrava por todas as pernas e sempre inquieto. Quando eu menos espero a garota muito branca chega do meu lado sorrindo, vestida muito formalmente (linda, mas sombria e olhos que exalam desconfiança), olha pra mim e estende um zipo. Pergunta se eu quero acender um cigarro… 23:51, então eu olho para minhas mãos e não vejo cigarro algum, porém, quando menos espero, ela faz um movimento rápido e meu pulso quebra. No lugar dos meus ossos, diversos cigarros… Nisso eu acordei suando, ouvindo meu nome ecoar na voz da mulher muito branca.

Eu.

Dor

A mulher dirige-se pelo corredor que dá acesso ao hall de entrada de sua casa, tarde da noite já; voltava de alguma festa ou algo do tipo. Ao virar o corredor um vulto branco aparece atrás, mas ela nem nota; faz silêncio. A mulher gira a chave na porta e gira a maçaneta, sem nem mesmo perceber que o vulto branco já se encontrava atrás dela. Sua boca é calada e seu tronco imobilizado. Pelo reflexo do vidro da lateral da porta ela vê uma mascara branca pontuda em que no alto da cabeça parecia cônica; “Klu Klux Kan?”, pensou ela, porém a pele do homem era negra. Irônico. O homem a leva para dentro da residência e com uma cortina que viu na janela da sala imobilizou o tronco da mulher. O vulto começa a se despir, só não tira a máscara… Sem armas, sem calçado… Mas marcas pelo corpo todo que sangravam. Desenhos notou a mulher, mas estranhos riscos que nunca viu; só uma marca ela reconheceu, no pescoço: “AC DC”. Um ritual satânico? Amantes de música? Nada cabia aquela situação. O homem retalhado, sangrando, determinado vai em direção a mulher e a leva para o meio da sala, já tirando a calça da mulher e sua roupa íntima. Violada e sem reação pelo trauma já existente ali, não conseguia gritar e nem pedir ajuda. O vulto olha para ela ali no chão e se vira. Um segundo depois só havia a mulher ali. Um homem cortava lenha já ao anoitecer; não tinha sono. Um vulto branco anda lentamente em sua direção, mas pelas costas… Não apresenta medo e nem insegurança. O lenhador ergue seu machado para o alto mais uma vez, essa, que é golpeado na lateral de seu tórax, fazendo derrubar o machado. Numa fração segundos em que o lenhador se vira para ver o que havia acontecido, só conseguiu ver uma marca no pescoço do homem branco que sangrava – além das vestes brancas e máscara com chapéu cônico – “AC DC”. Um segundos depois o machado atravessa sua garganta, quase decepando-o. Chego no ginásio – era domingo – e encontro pessoas sentadas perto de uma arquibancada. Só não me lembro o que fazia ali, apenas estava ali. Pessoas sentadas; cada uma em um canto, mas próximos de uma coisa grande e branca. Parecia mais uma máquina de lavar gigantesca. Uma escotilha em cima, um vidro redondo grande na frente, um líquido branco jazia ali dentro; não entendia aquilo. Sento-me por ali também e espero algo, só que algo que eu não sabia o que era. Estranho, mas a mesma vontade de ir embora era a de ficar também. Ouço um barulho metálico de algo se arrastando no chão, olho para a porta do ginásio. O homem de cabelos compridos cor fosca vinha se arrastando usando um dos braços e com o outro segurava uma muleta. Vestia apenas uma bermuda, pequena. Seu corpo notava-se marcas, muito sangue… Não eram marcas apenas, eram símbolos. Desconhecidos ao meu ver. Ninguém ajudava-o e ele sem hesitar arrastava-se, sentido dor, pois isso era claramente notável… O homem no chão sorria mesmo assim. Chegando mais perto de mim consegui notar que o homem usava fixadores nas duas pernas – não tinha reparado, as marcas me chamaram a atenção antes – que apresentavam sangramento. Doía só de ver… Essa sensação se intensificava quando reparei que ferros perfuravam seus músculos; coxa e panturrilha, mas em ângulos desmedidos, grosseiramente, causando obviamente mais dor. Dois homens se aproximaram e ajudaram o homem que se arrastava sentando-o na arquibancada, bem próximo a máquina branca gigante. Correntes são pressas nas costas do homem de cabelo fosco por ganchos, transpassando sua pele em dois pontos. Um dos homens oferece a corrente que suspenderia o corpo para o próprio homem a ser suspendido… Um pavor estranho toma conta de mim enquanto o homem se erguia dolorosamente. Um dos homens abaixo ajuda a puxar a corrente que corre num trilho até ficar na reta da escotilha que agora estava aberta. Aos poucos e sofridamente o homem dos fixadores nas pernas vai soltando a corrente, indo em direção ao líquido. Suas penas tocam o líquido que começa a borbulhar. Um grito agudo de prazer e agonia vindo do homem inunda meus ouvidos. De frente para o tanque estranho, me arrisco a olhar nos olhos dele, quando o mesmo já me encarava. Foi então que disse: “A dor é ótima e você sabe disso, não é mesmo, Guilherme?”. Encaro-o mais uma vez e reparo bem em seu pescoço antes. “AC DC”. Encaro seus olhos e então entro em desespero. O homem sorria doentiamente e no lugar dos olhos que deveriam ser comuns, estavam dois olhos inundados em escuridão. Então eu acordei…

Eu.