Por todas as “minorias”.

“Ele é gordo”, “ela é magra demais”, “muito alto”, “muito baixo”, “nem gordo e nem magro”, “nem alto e nem baixo”, “cabelo ruim”, “cabelo bom”, “sem busto”, “sem bumbum”, “seio demais”, “bumbum demais”, “ele (a) não se encaixa nos padrões exigidos por…”. O mundo quer que você veja a si mesmo (a) como ele quer; vivemos numa sociedade que insiste em te encaixar nos conceitos contemporâneos de estereótipos impostos incessantemente. Colocaram grilhões nas suas vontades, fizeram pressão vertiginosa na sua moral – “Aceite!”, “faça!”, “seja”, “não pense, siga a maré”; uma versão mais voraz do clipe homônimo da Daft Punk, o “Technologic”.
Pois bem, antes de tudo: ninguém é perfeito, mas você é uma pessoa imperfeitamente única e, sabe? Isso é magnifico! Sua singularidade (tanto corporal, quanto intelectual) é uma obra de arte que não pode ser copiada.
Não dê condescendência ao conservadorismo corrosivo que te obriga, por exemplo, dentre muitas outras coisas, a casar e ter filhos porque isso é uma obrigação de uma tradição, mas faça isso se for da sua vontade. Vamos elucidar algo importante: você pode e deveria ser livre em suas escolhas. A liberdade ir e vir, quanto de expressão, deveriam ser as únicas regras vigentes.
Você não tem um corpo “fora do padrão”, porque os padrões de beleza são ditados pelo mundo da moda e as tendências de “especialistas” que se baseiam na questão do lucro, e não na questão humana, não em pessoas. O lucro da indústria prejudica sua estima. Não aceite ser julgado (a). Se aceite.
Use maquiagem sim – seja homem ou mulher, o gênero é imparcial -, roupa curta, roupa “brega”, enfim, o que quiser. Não há rédeas que te domine se você dominar as suas próprias ideias. O mundo não se importa com você, então faça isso por si próprio (a).
Aceite ser o universo magnífico que é, porque você é um universo magnífico, com poderes de mudar o que quiser, quando quiser; tanto dentro, quanto fora.

Paz, meus amigos. Paz.

(Muito obrigado Amanda Scavazza, pelo simples fato de existir e contribuir nas minhas inspirações. ❤)

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Meu sobrinho Duque é um astronauta.

Essa semana eu resolvi deixar essa semana para trás, porque simplesmente eu não saberia lidar com ela.
Abri a caixa do correio e a correspondência me recebeu com uma chuva estrondosa de voadoras na cara em forma de cifrões e, olha, mirei o céu e o mesmo era lindamente azul, decorado com um sol que ofuscava tanto a visão que eu desejei que caísse um dilúvio nessa montanha de papel repleta de códigos de barra. Dizem que um banho de chuva lava a alma, mas essa do carteiro lavou a minha mente; “brainwashing”.
Essa semana pedia incessantemente que fosse deixada para trás. Mas eu não descobri como realizar esta façanha temporal; ainda não inventaram ou descobriram uma máquina do tempo.
Droga.
Mas tem tanta coisa que eu não gostaria deixar passar – eu não posso simplesmente pintar de branco aquela página; ainda haverá algo escondido por baixo daquela página que eu preferia que ficasse nos recônditos do mais imenso e reconfortante esquecimento. Tem dia que é foda encarar um dia foda.
Porra.
Mas, sabe? Não dá pra deixar a semana para trás e muito menos borrar as página. A página pode ser preenchida de novo (de outra forma) e a semana não vai sair do seu pé. Eu sei, você sabe e todos sabem.
Boletos, emprego, responsabilidades, enfim, a vida arbitrária e repleta de contingentes de sempre. Porém, não é de todos esses problemas, dificuldades e empecilhos que nos tornam pessoas calejadas e propensas às adversidades que somos hoje? Os homens e mulheres que mudam o rumo de tudo e fazem as coisas caminharem?
Eu ouso acreditar que sim.
Mas, sabe? Tem dia que é foda encarar um dia foda. Então foda-se. Não vamos perder nosso tempo tentando descobrir ou construir aquela prodigiosa e encantadora máquina do tempo, porque se há algo que não podemos deixar para trás, ou deixar de conviver, é o passado.
Somos mais fortes que uma “porralhada” de dias foda que são fodas de encarar.
Coloquei Dance of Days no último volume e lembrei do quanto eu poderia ser mais forte que essa semana, que eu poderia ser mais forte que essa vida, que eu não nasci para ser coadjuvante nos problemas diários, semanais ou qualquer tempo. Eu sou protagonista dessa tragédia problemática pessoal toda. Então vou “Tarantinizar” minha direção e cortar a cabeça desses problemas bem mais que a noiva de amarelo.
Vem semana, vem mês, vem ano, vem vida; meu coração que corta mais que espada sorri.
Essa semana é só mais uma semana. Eu sou uma vida toda de possibilidades que só eu posso criar e, afiado, vou fazer que os ventos soprem ao meu favor.
“Que se foda amor, que se foda. Pecado é não viver a vida”.
Paz, meus amigos. Paz.

Eu sou um perdedor.

Não somos perfeitos, mas também não queremos ser. Não fazemos parte do “Clube da L***”, mas também não queremos fazer parte do mesmo. Fazemos parte de algo que não quer fazer parte de nós, mas integramos uma parcela enorme desse algo. Como uma única ferida no meio de um braço sem arranhões ou cicatrizes. Estamos aqui e estamos lá; estamos em todo lugar.
Minhas tatuagens não mudam meu caráter, meu cabelo colorido não é melhor ou pior que o seu, minhas roupas surradas me deixam mais confortável. O que nós temos dentro da mente e do coração mudou e mudará novamente uma nação.
O mundo nos traga, mesmo achando que não fazemos bem. Eles precisam de nós, porque nós somos os “Outsiders”. Somos o sonho de liberdade que o conservadorismo predador odeia. Os bons modos não aplicados à mesa, a falha na linha de produção, o defeito irreparável da máquina. Mas eles nos observam, pois sabem que pensamos fora da caixa, e isso assusta a maioria, que vê a minoria nunca parar de colocar espinhos na mente.
Somos quem queremos ser, parte do todo, como uma engrenagem que se encaixa nas outras, mas ao mesmo tempo parece que não é algo que se encaixe em qualquer lugar. Somos os “diferentes”, quando ser “diferente” é perfeitamente normal para nós.

Contemplem nosso êxito para fora do breu.

Nós somos os perdedores.
E nós não temos medo de dizer que nos orgulhamos muito disso.

Paz, meus amigos. Paz. ♥

Mergulho.

O coração despenca do céu, estende o braço em busca de afeto. Segura o braço estendido que sai daquela água escura, mais espesso que lodo, que absorve parte de mim, e aos poucos, lentamente, me integra ao lago. Acordo num pulo, meus braços intactos, mas meu coração mergulha o lago negro, sem ver nada, pulsando em arritmia, criando auréolas na superfície que se propagam em lamuria, tristeza e dor. Como um grito abafado na mente, nos recônditos, esquecido e aprisionado.
Brilha a esperança tênue, num facho de tímido de luz, que guia de uma margem recém criada, onde uma torre sólida como diamante jaz imponente e acolhedora. Traz de volta os sentidos, lembra o propósito, então o coração pulsa mais rápido ainda, como uma bomba relógio prestes a explodir. Até que explode em luz e tudo se intensifica, tornando a água transparente, formando o céu mais límpido, estrelado, com uma lua minguante sorridente que anuncia: não há escuridão infindável, muito menos impossível de dissipar.

Destruído.

Outro dia uma pessoa muito especial me apresentou uma banda chamada Rubel, e a música era “Quando Bate Aquela Saudade”. Eu amei de primeira, vi o clipe lindo, tanto que me destruiu. Sim, me destruiu por dentro. Eu precisei ficar ouvindo essa música por pouco mais de uma hora e mesmo assim não pareceu o bastante.
Eu senti um turbilhão de coisas, tomei o “baque”, arrepiei a cada vez que a música repetia.
Sabe aquele filme ótimo que faz jorrar naturalmente as lágrimas? Lembrei de um em especial – porque esse virou um dos filmes da minha vida – chamado “Amour”, que, consequentemente, me destruiu também. Fez pensar em perspectiva de vida, e como parece intensamente lindo ter alguém para envelhecer junto. Uma história de amor que dura décadas. Isso destruiria qualquer pessoa.
Confuso, não? Por dentro, coração aos prantos, cabeça a mil, sabe? Quando você não sabe direito o que sente direito, mas sente uma porrada de sentimentos agindo de uma vez só. Ouvir a música triste que te deixa feliz, te faz melhorar, como se fosse uma tristeza boa. Ver seu filme preferido e chorar toda vez que aquela cena em especial te emociona como não emocionaria qualquer outra cena. O nascimento de um filho e como uma mãe mal sabe o que sentir, mas sente absolutamente tudo. Você desmonta, mas não sai do lugar, e nem tenta mudar nada, porque de tão destruído por dentro, em passar por uma determinada experiência tão boa, você não quer mais voltar ao estado anterior.

Em suma, é aquele momento tão bom, mas tão bom, que você não quer entender por não saber como se sente. Você só quer viver aquele momento de infinito.

Sentir-se assim é a melhor coisa do mundo.
Sentir-se “destruído”.

Sossega meu peito

Sinto meu peito quente, desce essa angústia como água ardente
Meu lar não é o mesmo, talvez nunca tenha sido
Do trabalho pra casa, do sentir pra sempre
E de todas as coisas ruins, eu só queria você comigo
Resplandece, permeia na névoa, mas que história é essa?
Mal sinto, mal posso tirar os tênis, que sua pressa me apressa
Nem notou aquela senhora sorridente
Que aprecia a paisagem e curte sem pressa
Meu lar é onde eu quero estar, onde bate meu coração
Imagino, sonolenta, tentando atenção, o leve soar daquela canção
Uma tarde sossegada, olhando o menino que corre
Das arbitrariedades, só o amor não é um porre
Faz casa em mim
Me acompanha sem fim
De alma cansada
De coração sem fim.

É tudo sobre o amor

O despertador toca muito cedo e é um porre enfrentar o mundo antes do sol nascer. Mas levanto, lavo o rosto, afeito a barba e encaro as ruas desertas.
No percurso até o trabalho as coisas começam a melhorar; dou bom dia para o porteiro de uma escola que sempre retribui com um sorriso aberto de brinde; vejo a lua ainda no céu, como um espectro do fim de uma noite que provavelmente foi linda e eu não vi; o cachorro da rua me segue até a marginal para me fazer companhia e demonstra para esse cara cabeça dura aqui que ele é feliz demais e eu devia ser também; o ar parece ser mais fresco e os carros não passam freneticamente como seria de costume algumas horas mais tarde; ouço um milhão de pássaros cantando como uma sinfonia gigantesca e gratuita; vejo os idosos caminhando sorridentes, conversando. Pois bem, já não parece tão ruim assim encarar o dia agora.
Chego no trabalho, começa outra guerra, mas que tem lá suas vantagens e agrados ao longo do dia. Ouço um rapaz comentando com o amigo que antes de sair de casa, desenhou um coração no espelho do banheiro, para quando a esposa acordasse, visse e pudesse ter um dia melhor, além daquele primeiro sorriso ser para ele, mesmo ele não estando lá. Uma senhora comenta com um colega de trabalho que sua neta aprendeu a falar “vovó” e como ela fica linda numa fantasia de princesa. Um vendedor comemora por ter seu emprego ainda, visto tantos cortes de empresas concorrentes, mas sente pesar pelos que foram despedidos. Quando seu irmão e sua cunhada descobrem que vão ser pais, então você consegue ver uma felicidade exalar em demasia, fluindo como fogo na madeira seca de uma lareira, fazendo com que seu coração exploda de felicidade também por entender que vai ser tio. Um pai andando de mãos dadas com a filha que está de férias da faculdade, enquanto ela conta a ele sobre seus dias lá e como uma matéria é muito difícil, mas que vai se empenhar para melhorar, porque quer dar orgulho a ele. Um menino de 9 anos se propõe abrir o saquinho de plástico para um homem de mãos grossas, para que ele possa colocar seus legumes.
Então você percebe que o amor flui de várias formas, em diversas situações, de algo tão simples, ou tão natural, do gesto pequeno, mas imensamente significativo a algo explícito e planejado. É besteira fugir do amor – deixa fluir, puxa! Não é saudável fugir dele, nem trata lo como algo normal. Ele é gigante e é a base de tudo! Para tudo! Nasce naturalmente lindo, varia, do sutil ao intenso, mas está em cada átomo existente nesse mundo.

Deixa florescer!

Imagina que louco se ao invés de guerras por sangue, combinassem todos uma festa mundial de divulgação da importância do amor? Iriamos acertar todos os problemas desse mundo caótico com toda a certeza.

É tudo sobre amor.

Ou quase tudo.

Mas eu escolhi viver dele e tenho ele como a minha religião. Vivo dele e dele sou feito. Mesmo quando eu não o vejo, mas ele vive aqui dentro de mim.

 

(11/09/2016)